Se você joga tênis, padel ou beach tennis, já deve ter sentido aquela dorzinha chata no cotovelo depois de um dia de jogo mais puxado — ou conhece alguém que sentiu. Conversamos com o preparador físico André Poerschke Vieira (@andrepoerschke) sobre epicondilite, a lesão mais famosa (e mal compreendida) dos esportes de raquete, e sobre tudo o que vem depois dela.
O que é epicondilite, afinal?
A epicondilite é uma degeneração do tendão que faz a ligação com os músculos do antebraço. Ela é tão comum nos esportes de raquete porque esse grupo muscular é responsável pela firmeza da raquete na mão — e afeta diretamente o movimento entre ombro, cotovelo e punho. Quando algum fator compromete essa estruturação da força muscular, é o tendão do cotovelo que acaba compensando.
Os primeiros sinais costumam ser sutis: sensibilidade no cotovelo (qualquer batida já dói), uma dor mais aguda que se conecta ao antebraço, e às vezes até inchaço ou sensibilidade mais acentuada no tendão, seja do lado medial ou lateral.
A causa, segundo André, raramente é só uma coisa: "É a combinação de tudo, principalmente pela falta de fortalecimento" — a maioria começa a jogar sem o corpo preparado, soma-se a isso a parte técnica, a rotina do dia a dia e até a escolha errada de raquete.
E quando a dor aparece? O ideal é parar e buscar tratamento. Se for uma dor tolerável, dá pra continuar jogando com apoio de bandagens ou equipamentos ortopédicos — mas o recomendado mesmo é procurar ajuda profissional.
Não é só no cotovelo: outras lesões comuns
Fora a epicondilite, as tendinites de ombro, joelho e tornozelo são frequentes em quem joga esportes de raquete, assim como a hérnia de disco. Como os movimentos são parecidos entre os esportes de raquetes, as lesões também se repetem entre as modalidades — ombro e cotovelo aparecem em praticamente todas.
A lesão mais subestimada, na visão de André, é a hérnia de disco: ela pode limitar bastante o movimento, causar dores agudas e até afastar o atleta das quadras por 4 a 6 meses — bem mais do que as demais lesões, que costumam ser mais controláveis.
O papel da preparação física na prevenção
"Quem vai segurar a base é a parte muscular", resume André. Seja lesão de tendão, articulação ou ligamento, um corpo fortalecido é a primeira linha de defesa. Para prevenir epicondilite especificamente, o fortalecimento de antebraço, tríceps e bíceps ajuda bastante — e, de forma geral, o treinamento de força é o maior aliado contra as demais lesões.
O erro mais comum do atleta amador? Jogar todos os dias e deixar a preparação física de lado. O caminho certo é o contrário: mais preparo físico, menos jogo.
Dor apareceu — e agora?
Se a dor limita o movimento, a recomendação é buscar um fisioterapeuta imediatamente. Se for uma dor tolerável e o movimento continua estável, vale tirar de um a dois dias de descanso para a inflamação passar, voltando aos poucos depois.
A recuperação da epicondilite exige paciência — o processo inflamatório varia de pessoa para pessoa. O ponto importante: mesmo com dor tolerável, o treinamento de força deve continuar, mas o jogo precisa parar nesse período, para a inflamação reduzir com o tempo.
E a linha entre "aguentar a dor e continuar" e "lesão real que exige parar"? Se a dor for limitante ao movimento, é hora de parar imediatamente — sem negociar.
O conselho pra quem está começando agora
Se você está dando os primeiros passos em algum esporte de raquete, o conselho de André é direto: comece as aulas técnicas já acompanhado de uma preparação física, seja treinamento de força tradicional ou mais específico. O ideal é que o fortalecimento caminhe junto com o esporte desde o primeiro dia — não depois que a dor aparecer.
Desfazendo o mito
Lesão não é sinônimo de parar de jogar para sempre. Com um processo de recuperação e reabilitação bem alinhado, dá pra voltar às quadras — as lesões, de modo geral, não costumam ser um fator impeditivo definitivo.
Quer treinar com quem entende do assunto?
Se você joga qualquer esporte de raquete e quer treinar de forma inteligente, sem deixar a preparação física de lado, vale a pena conhecer o trabalho do André Poerschke Vieira. Siga @andrepoerschke no Instagram e fale com ele para montar seu plano de fortalecimento.
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